quinta-feira, 30 de julho de 2015

Um mergulho Akula adentro

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OLEG KULECHOV
Em junho, o submarino nuclear Dmítri Donskoi deixou a base principal da Frota do Norte, na cidade de Severodvinsk, para participar de exercícios com as Forças Antissubmarinas da Rússia, no mar Branco. A classe Akula (tubarão, em russo), do Projeto 941, é única no mundo. Os submarinos desse tipo têm 124 metros e altura equivalente a um prédio de nove andares. Não é à toa que todos os seis Akulas existentes figuram no “Guinness Book”, o livro dos recordes.
OLEG KULECHOV
Dos três Akulas que ainda realizam atividades, o mais avançado é o TK-208 Dmítri Donskoi. Seu sistema de propulsão nuclear possibilitou a realização de testes da versão mais recente do míssil balístico Bulava, desenvolvido especialmente para a nova classe de submarinos estratégicos do Projeto 955 Borei.
OLEG KULECHOV
O submarino é equipado com duas câmaras de resgate, localizadas perto da vela e na popa, capazes de resgatar toda a tripulação. O casco exterior, de 800 toneladas, é revestido de material isolante emborrachado antissonar, deixando o navio com aspecto de um “gigantesco brinquedinho de borracha”.
OLEG KULECHOV
Ao subir a escada que dá acesso ao submarino, chega-se à sala principal de comando. Foi ali que ocorreu nosso ritual de iniciação, pelo qual todos os novatos devem passar. Quando submerso, o tripulante de primeira viagem deve beber uma tijela inteira de água do mar e depois beijar uma marreta balançando feito um pêndulo. Após a consagração, o novato recebe um certificado de submarinista e, dependendo do humor da tripulação, também um presente: peixe defumado e um selo comemorativo.
OLEG KULECHOV
Os submarinos do Projeto 941 também são únicos em termos de acomodação – alojamentos pessoais, refeição de alta qualidade e espaços recreativos, que incluem sauna, piscina, academia e até um jardim de inverno. Devido a isso, o projeto foi apelidado de “Hilton flutuante”.
OLEG KULECHOV
Apesar de os submarinistas frequentarem a sauna de vez em quando, eles geralmente estão na sala de controle. O serviço no mar é constante e quase não há horas vagas.
OLEG KULECHOV
Algum tempo atrás, o Akula tinha espaço para abrigar um pequeno viveiro, com papagaios e canários. Mas os pássaros não aguentavam mergulhos prolongados, e atualmente há apenas um jardim de inverno.
OLEG KULECHOV
Dentro do Dmítri Donskoi há duas copas: a primeira para pessoal mais novo e a segunda para oficiais (foto), que abriga uma exposição permanente dedicada à Batalha de Kulikovo. Ali também fica exposto o cetro usado no ritual de iniciação.
OLEG KULECHOV
A copa dos tripulantes mais novos é bem mais modesta. Todos os móveis localizados na sala principal e em outras áreas são presos por correntes.
OLEG KULECHOV
Não fomos autorizados a entrar na sala do comandante. Além de uma sala de reuniões, o espaço inclui os gabinetes do comandante e do Estado-Maior.
OLEG KULECHOV
Também não foi possível acessar as demais áreas do Akula. Apesar da idade avançada, os detalhes desse gigante são mantidos em segredos, e o acesso é concedido apenas a militares. Pelos planos da Marinha russa, esse modelo de submarino ficará em serviço até 2022, mas poderá passar por uma nova modernização – o que estenderia sua vida útil.

Fonte: Gazeta Russa

Brasil e Rússia negociam complexo de lançamentos para Angará

A Rússia e o Brasil estão conduzindo negociações para criar um complexo de lançamentos para o porta-foguetes Angará na base de Alcântara, no Maranhão, de acordo com Aleksandr Medvedev, construtor que está preparando esse equipamento no Centro Khrúnitchev, em Moscou.
"Houve considerações e propostas para a construção de um complexo de lançamento separado para o Angará na base de Alcântara, no Brasil. Lançar da linha do Equador é uma alternativa interessante. Tem muita  chance de gerar concorrência. Agora estão sendo conduzidas negociações", disse Medvedev à agência Tass.
O Brasil oficializou na segunda-feira (27) o fim de um acordo com a Ucrânia para lançamento de foguetes Cyclone 4.
Apesar de rumores sobre a quebra do acordo terem se iniciado já em abril deste ano, somente no final de julho a decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
Os prejuízos com o fim do acordo Brasil-Ucrânia podem chegar a R$ 1 bilhão.
Medvedev também afirmou que o futuro porta-foguetes Angará-A3 poderá ser usado no projeto Sea Launch (ver box), junto ao russo-ucraniano Zenit.
Sea Launch
É um serviço de lançamento de foguetes espaciais que usa uma plataforma marítima, a Odyssey, especializada em foguetes Zenit 3SL. O projeto foi uma joint-venture entre EUA, Rússia, Ucrânia e Noruega, mas hoje a maior parte dele pertence à estatal russa Enérguia.

"Por enquanto, essa ideia ainda se mantém. Devemos esperar algumas resoluções, e depois disso pode ser que isso seja levado para frente", disse.

No início deste, divulgou-se que o Brasil poderia abrigar o projeto Sea Launch, responsável por lançar alguns Zenit. Os lançamentos da plataforma marítima foram suspensos em 2014, divulgou-se a suspensão de lançamentos.
Aperfeiçoamento
O construtor explica que o aperfeiçoamento do porta-foguetes Angará-5 para o lançamento de naves espaciais tripuladas custará em torno de 10 bilhões de rublos (US$ 170 milhões), sem contar os gastos na infraestrutura terrestre.
"Planejamos realizar em torno de 2021 o primeiro lançamento do porta-foguetes Angará-5, que poderá colocar cosmonautas em órbita. Os primeiros lançamentos serão não tripulados, já que será preciso confirmar a segurança desse porta-foguetes em lançamentos reais", disse Medvedev.
Além disso, ele diz que os custos dos lançamentos do Angará em 2025 será quase 20% abaixodos do Proton-M.
"É preciso ter em mente que o preço de custo para a preparação do Angará-5 irá diminuir com o aumento da quantidade de artigos fabricados", explica.
Em dezembro do ano passado, o presidente russo Vladímir Pútin participou, por videoconferência, da cerimônia do primeiro lançamento experimental de um porta-foguetes Angará A-5.
Em meados de maio deste ano, o Ministério da Defesa da Rússia apelou ao Tribunal de Arbitragem de Moscou com um pedido de pagamento de 1,8 bilhão de rublos pelo Centro Khrunitchev.
O motivo do pedido não foi divulgado, mas sua relação com o recente acidente do porta-foguetes Proton que levou à perda do satélite mexicano MexSat-1 foi descartada, já que a ação foi iniciada antes do ocorrido.

Fonte: Gazeta Russa

Suécia reduz taxa e Brasil fecha acordo de compra de caças

A Suécia concordou em reduzir o custo de financiamento para a venda de 36 caças Gripen NG à Força Aérea Brasileira (FAB) por 5,4 bilhões de dólares, disse o ministro da Defesa, Jaques Wagner, nesta quarta-feira.
As demoradas negociações sobre o acordo de financiamento atrasaram o acordo final para a compra dos caças, fabricados pela sueca Saab .
Em meio a um esforço de reequilíbrio das contas públicas, o governo brasileiro tentava reduzir a taxa de juros, acordada inicialmente no ano passado em 2,54 por cento ao ano com a agência de crédito à exportação da Suécia, a SEK, como parte dos esforços de ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Wagner disse que as duas partes concordaram em reduzir as taxas de juros do financiamento para 2,19 por cento, que serão pagas pelo Brasil em 25 anos, com oito anos e meio de carência.
"A solução foi boa para ambos os países. Vamos entrar em um mundo de tecnologia avançada. Dentro de 10 a 12 dias, vamos ratificar o contrato e teremos mais de 200 brasileiros indo à Suécia para treinamento", disse o ministro em entrevista coletiva em Ladário, no Mato Grosso do Sul, onde acompanha as atividades da Operação Ágata 9, das Forças Armadas, segundo o ministério.
"O governo não poderia assinar em 2015 um contrato com a taxa de 2014", acrescentou o ministro.
Os primeiros caças devem ser entregues à FAB em 2019. A Saab planeja estabelecer uma linha de montagem no Brasil até 2024 em parceria com a Embraer .
O contrato prevê total transferência de tecnologia e a produção de 15 caças no Brasil, incluindo oito modelos de dois lugares, pedidos pela FAB, informou o ministério.
O Brasil tomou a decisão sobre os caças em dezembro de 2013, escolhendo o Gripen, da Saab, em vez do F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, e do Rafale, da francesa Dassault, que também estavam na disputa.
O Brasil também assinou um acordo adicional para a compra de 245 milhões de dólares em armas para os Gripens.

Fonte: EXAME

terça-feira, 28 de julho de 2015

Modelo alemão para proteger emprego vai funcionar no Brasil?

Lançado no início deste mês pelo governo brasileiro como uma ferramenta para diminuir os efeitos da desaceleração econômica no mercado de trabalho, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) tem como inspiração uma medida que foi amplamente usada na Alemanha após a crise de 2009.
Chamado de Kurzarbeit (trabalho curto, em alemão), o programa é apontado por especialistas como uma das ferramentas responsáveis por frear drasticamente o aumento do desemprego na Alemanha nos meses posteriores ao estouro da crise, expandindo os incentivos para que os patrões não demitissem sua mão-de-obra. Esse modelo ainda é usado em alguns setores industriais que continuam afetados por outros fatores, como as sanções econômicas contra a Rússia.
Durante o pico da crise em 2009, o esquema atendeu cerca de 1,5 milhão de trabalhadores alemães e ajudou a preservar até 400 mil empregos, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). À época, esse número segurou a taxa de desemprego em até 1%. Em junho deste ano, 18 mil trabalhadores alemães estavam trabalhando sob esse regime.
Nesse sistema, patrões e empregados acertam uma redução das horas de trabalho. O salário cai na mesma proporção, mas uma boa parte da diferença perdida (até 67% dependendo do caso) e várias contribuições passam a ser pagas diretamente pelo governo. A duração é variável, e costuma ser alterada dependendo das circunstâncias. Atualmente, as empresas alemãs podem adotar o esquema por 12 meses, mas no auge da crise, a medida chegou a ser aplicada por até dois anos.
Num exemplo livre, empregados de uma firma que experimenta uma queda na produção podem sofrer uma redução de 50% na jornada de trabalho. O salário, é claro, vai diminuir na mesma proporção, mas o governo vai ajudar a cobrir parte da diferença. Alguém que ganhe 2 mil euros pode passar a ganhar cerca de 1.700 euros e só vai trabalhar metade do tempo. Já os patrões se comprometem a não demitir ninguém no período de baixa.
Kurzarbeit é antigo na Alemanha. Ele fez a sua primeira aparição antes da Segunda Guerra Mundial. Logo após a queda do Muro de Berlim e a Reunificação, a decadência da economia na porção leste do país levou a uma expansão sem precedentes do sistema. Em 1991, cerca de 1,6 milhão de trabalhadores foram incluídos no esquema, a maioria no leste.
Os defensores do esquema afirmam que, apesar de representar um gasto a mais para o governo, o Kurzarbeit ajuda a desonerar os cofres públicos, já que é mais barato pagar complementos salariais do que o total de uma parcela inteira de seguro-desemprego. Além disso, os patrões e os empregados continuam a contribuir para a previdência.
Num país como a Alemanha, que tem uma indústria superespecializada, também existe a vantagem para a empresa de manter, mesmo que parcialmente, sua mão de obra já treinada, evitando gastos extras com novos empregados quando a atividade voltar ao normal. Durante as horas paradas, o empregado realiza cursos de capacitação.
Durante a apresentação da versão brasileira, a presidente Dilma Rousseff apontou que seu governo buscou inspiração direta no modelo alemão. Apesar disso, os números brasileiros são bem menos ambiciosos dos que observados na Alemanha nos últimos anos.
De acordo com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o PPE vai incluir 50 mil trabalhadores até 2016 e vai custar cerca de 94,8 milhões de reais ao Fundo de Amparo do Trabalhador. É apenas uma fração do que foi observado na Alemanha. Somente em 2009, o governo alemão gastou cerca de 6 bilhões de euros (21,7 bilhões de reais) no programa.
Além disso, o PPE brasileiro prevê uma redução máxima de 30% da jornada de trabalho durante 12 meses. E o governo só vai complementar até 900 reais dos salários perdidos. Na Alemanha, não há limite para o corte de horas, e o trabalhador pode até ficar sem trabalhar.
Embora a indústria tenha se servido mais do Kurzarbeit na Alemanha, não há nenhuma regra que limite em que tipo de atividade ele pode ser posto em prática. Até mesmo empresas de design gráfico fizeram uso do esquema em 2009. No Brasil, também não há nenhuma restrição, mas o governo elegeu setores prioritários, como o automotivo, sucroalcoleeiro e frigorífico, entre outros.
Para especialistas, é enganoso pensar que o "modelo alemão" pode ser facilmente importado para um país como o Brasil, já que o sucesso do programa no país europeu dependeu de outros fatores.
Além disso, na Alemanha, ele foi combinado com outros programas para frear demissões, como o uso extensivo de um esquema de banco de horas em que o operário trabalha mais em épocas de bonança sem receber imediatamente a mais, mas depois não tem o salário reduzido em épocas de produção em baixa, quando a carga é reduzida. O Kurzarbeit por si só não é capaz de fazer milagres.
"Não há dúvida de que políticas governamentais como o Kurzarbeit e o banco de horas ajudaram as firmas alemãs a atravessar a tempestade de 2008 e 2009. Mas pode ser que ele só tenha sido efetivo porque várias reformas trabalhistas já haviam sido colocadas em prática antes da recessão e porque o declínio na demanda só foi sentido por um curto período de tempo", afirma Hermann Gartner, pesquisador do Instituto de Pesquisa Trabalhista (IAB), em Nurembergue, que fez um estudo sobre a viabilidade da aplicação do Kurzarbeit e de outras políticas nos EUA. "É enganoso ou pelo menos prematuro afirmar que proteções semelhantes funcionariam bem num país como os EUA, por exemplo."
O IAB, uma organização ligada à Agência Federal do Trabalho da Alemanha (BA), apontou em vários estudos as vantagens do Kurzarbeit, mas também sinalizou um possível efeito perverso do sistema, como ajudar a manter artificialmente o funcionamento de empresas que não são competitivas, mantendo a mão de obra presa em setores que estão em declínio, atrasando a realocação profissional.
Claudio Salvadori Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp e ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho, afirma que o Kurzarbeit brasileiro pode não render os frutos esperados. Segundo ele, isso deve acontecer, sobretudo, porque no caso alemão, a expansão do programa veio acompanhada de uma sensação de que a crise seria passageira e porque o governo aplicou pacotes de estímulo para assegurar que isso acontecesse mais rapidamente.
“É uma ideia boa, mas no Brasil ela chega como uma iniciativa atabalhoada, sem uma estruturação. De nada adianta proteger o emprego agora sem uma iniciativa de recuperação econômica", afirma.
Nesta quarta-feira 22, o governo finalmente anunciou as regras do PPE. As empresas que quiserem participar vão ter que, entre outras coisas, comprovar, por exemplo, dificuldade econômico-financeira e apresentar um indicador Líquido de Empregos (ILE) igual ou inferior a 1%.
Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em direito do trabalho Luiz Guilherme Migliora, as regras impostas pelo governo vão dificultar a adesão ao programa.
"A execução está muito tecnocrata e vai criar um inferno burocrático. Talvez a adesão nem chegue a esses poucos 50 mil por causa dos entraves", diz. "A impressão que deu é que se criou só um fato político com o anúncio, sem um acompanhamento econômico. Se não der certo, o governo pode falar que criou o programa e que foram as empresas que não aderiram."
Migliora também concorda que ainda que a execução do programa venha a ser simplificada, ele será inócuo sem uma perspectiva de recuperação econômica. "Nenhuma empresa vai achar vantajoso vencer essa burocracia para guardar seus empregados se não houver uma perspectiva de que as coisas vão estar melhores no fim do prazo de 12 meses", diz.
Fonte: Deutsche Welle